Perdendo-me

07:30 Érica Guimarães 0 Commentários


Título Original: Losing It
Autor: Cora Carmack
Tradutor: Ana Death Duarte
ISBN: 978-85-8163-527-9
Gênero: Ficção Norte-Americana
Páginas: 286
Editora: Novo Conceito
Nota: 5/5
Estante: Skoob
Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino / Amazon







Sinopse: VIRGINDADE. Bliss Edwards vai se formar na faculdade e ainda tem a sua. Chateada por ser a única virgem da turma, ela decide que o único jeito de lidar com o “problema” é perdê-lo da maneira mais rápida e simples possível – com uma noite de sexo casual.

Tudo se complica quando, usando a mais esfarrapada das desculpas, ela abandona um cara charmosíssimo em sua própria cama.
Como se isso não fosse suficientemente embaraçoso, Bliss chega à faculdade para a primeira aula do último semestre e... Adivinhe quem ela encontra. Não faz nem oito horas que eles estiveram juntos.

  
Comentários:

Bonjour Anges!!

Hoje trago na leitura da nossa “Pilha do Anjo” um livro muito legal, leve e divertido. Um romance New Adult pelo qual sou louca há muito tempo quando o li numa tradução livre. E quando vi que nossa parceira Editora Novo Conceito o lançaria no Brasil surtei horrores. “Perdendo-me” é o primeiro livro da autora americana Cora Carmack, originalmente publicado somente em e-book de maneira independente, e que virou um best-seller do New York Times e depois disso teve seus direitos de publicação comprados pela Harper Collins. E ai o sucesso apenas cresceu.


Eu amo esse livro. De verdade! Eu. Amo. Esse. Livro. Pra quem acompanha o Memories deve estar cansado de ver falando que os livros são ótimos e ver as altas pontuações. Mas, esse livro vale cada um dos cinco pontos que dei.

Imagina a cena: uma garota com 22 anos, terminando a faculdade de artes cênicas e ainda é virgem. Sério! Uma atriz virgem, mostrando que milagres ainda existem. E, quando essa garota confessa sua situação pra melhor amiga que é super extrovertida e confiante, não dá outra: noite num bar, muita bebida e caça aos homens.

Uma roupa mais justa, coragem líquida no sangue e nossa garota já está sendo cantada pelo barman. Mas a noite não era pra ele e sim para um belo loiro, sentado no canto do bar lendo Shakespeare.

Todos aqui concordam que é muito normal um cara ir a um bar e ficar lendo Shakespeare num canto quase escondido. Afinal, vemos isso direto nos bares, não vemos? Não? Hummm, melhor deixar pra lá a normalidade da coisa, então.

Bem, o fato é que a garota virgem ama Shakespeare, e a coragem líquida – vulgo tequila – já está fazendo efeito esperado, anulando seu filtro de bom senso e quando ela percebe já está flertando loucamente com o lindo homem de sotaque britânico.

E então, nossa heroína decide entregar sua pureza ao cavalheiro leitor de Shakespeare (que confessa estar no bar apenas porque foi inteligente o bastante pra se trancar pra fora do apartamento e estar esperando o chaveiro).

Ainda inconsequente, nossa garota sugere que dois saiam do bar para esperarem juntos pelo chaveiro no apartamento dele. Mas, nossa garota ainda não tinha percebido que era protagonista de um New Adult, senão nem teria saído de casa.

E é então que começa o que me faz simplesmente amar esse livro: a sessão de vergonha alheia. Afinal, aquela noite seria especial, pois muitas primeiras vezes iriam acontecer. Primeiro porre por coragem. Primeira investida em um estranho no bar. Primeira viagem de moto (com direito a monólogos dos livros de Shakespeare enquanto nossa quase ex-virgem tenta se acalmar). Primeira queimadura de moto. Primeiro tesão verdadeiramente reconhecido pelo corpo. Primeiro amasso que realmente valeu a pena. E provavelmente o primeiro fora mais ridículo de toda a história da humanidade.

Lembra que eu falei sobre vergonha alheia? Isso é apenas o inicio. Acredite se quiser, mas na hora H, quando os hormônios borbulhavam e o cavalheiro destemido mostrava que tinha um animal dentro de si, nossa doce (e burra) heroína simplesmente analisa demais a situação e foge (literalmente) da situação. E como foi isso? Ela gritou que precisava buscar sua gata no veterinário. Sim, isso depois da meia-noite.

Eu, como mãe de gatos, até seria louca de fazer algo do tipo (é claro, que isso NÃO aconteceria se eu estivesse de amasso com um homem delicioso assim), mas o detalhe maior dessa desculpa esfarrapada é o fato de que nossa protagonista NÃO cria nenhum gato. O que caracteriza o fora mais ridículo da história da humanidade.

O maior problema dessa fuga foi que os dois estavam no apartamento dela, e a fuga não foi muito legal. Espera! Acho que você, caro leitor, ficou um pouco perdido agora, né? Então, vamos rebobinar um pouco para analisarmos um pouco melhor essa vergonha alheia.

Quando a primeira viagem de moto da vida da nossa mocinha acabou ela percebeu que eles estavam no estacionamento do condomínio onde ela morava. E ao caminharem um pouco, percebeu que o lindo loiro inglês morava no apartamento em frente ao dela. Mas, para o azar dela, o chaveiro avisou que iria atrasar (só Deus sabe o motivo, já que era um domingo depois das onze horas da noite) e assim, os dois preocupados em cuidar da queimadura na panturrilha dela, resolveram caminhar até o apartamento dela. Onde toda a desgraça aconteceu.

Aquela já era uma situação constrangedora por si só. Afinal, depois de toda essa vergonha, a garota teria sua virgindade para ver mais um nascer do sol. Mas, se fosse só isso eu não amaria tanto esse livro como amo. A vergonha alheia é algo que está tão entranhado na trama que é impossível ler uma pagina sem se deparar com ela. E assim, na manhã seguinte, menos de oito horas depois de todo esse desastre, nossa protagonista vai encarar a primeira aula do ultimo semestre da faculdade e, adivinhem quem é o novo professor dela?

Gente, sejam muito bem-vindos à vida de Bliss Edwards. Ela é nossa atriz e protagoniza a história acima. Pena que isso não foi em um teatro e sim na vida dela. Bliss é uma garota mais estilo fofa do que Femme Fatale. Se acha extrovertida, mas na verdade só não suporta o silencio, pois quando tudo está agitado, ela prefere ficar de lado apenas observando e analisando. E todos nós já pudermos perceber que ela adora analisar coisas...

Esse último semestre da faculdade foi de um aprendizado fora de série para Bliss, não apenas na vida acadêmica, mas na vida pessoal dela também. E o responsável por esse crescimento foi o belo inglês Garrick Taylor, o fatídico professor que ela encara após uma noite desastrosa juntos.

Cora Carmack tem um humor peculiar. A narrativa dela em primeira pessoa mostra bem como essas desventuras em série mexem com o psicológico de Bliss. O livro então ganha um ar meio de Chick-Lit, hilário e leve, totalmente envolvente. Quando se começa a leitura é meio complicado largar o livro, pois a vontade de ver o que mais vai acontecer é irresistível.

E esse jeito irreverente traz uma mensagem interessante aos jovens, principalmente para as jovens, que assim como a Bliss, ainda não se sentem prontas ou não acharam a pessoa certa para dar um passo tão grande e importante na vida de uma mulher.

De um jeito sutil, a autora mostrou que há sim várias pessoas interessadas, mesmo quando a baixa autoestima ou a timidez não nos deixe enxergar, mas que a hora certa para acontecer será aquela em que acharmos a pessoa certa de verdade, aquela capaz de ligar todas as nossas terminações nervosas e nos deixar calmas ao mesmo tempo. E que cada pessoa tem seu momento. Que a demora em que aconteça não é anormal, nem problemático. Cada um floresce em um tempo.

Com capítulos curtos, o diferencial desse romance é o fato da sedução acontecer naturalmente, sem aquelas forçadas de barra de gente se jogando em cima (literalmente) das pessoas desejadas. De uma atração forte, a pouca convivência entre Garrick e Bliss foi criando um laço maior, ai então os encontros aumentaram até que o simples desejo se tornou numa paixão, preparando o terreno para um amor mais sólido. E nesse meio tempo, vemos Bliss fazendo de tudo para resistir a esse sentimento que crescia a cada dia mais.

Numa leve comparação, posso colocar os livros “Easy” da Tammara Webber e “Belo Desastre” da Jamie McGuire no mesmo patamar. As três protagonistas estão na faculdade, ainda virgens e cada uma delas com uma experiência a ser superada, o que trava o inicio da vida sexual. E isso remete às intenções para que o gênero New Adult exista – alertar aos jovens o que realmente é ser adulto nos dias de hoje e todas as complicações que chega com a idade.

Além do enfoque no romance, esse livro também fala muito da escolha profissional. É possível ver tanto a Bliss como os amigos e colegas delas sempre preocupados com o que será da vida agora com o término da faculdade. No último agosto eu me formei na faculdade e reler esse livro agora me deu ainda mais identificação com a protagonista, pois estou passando pelos mesmos medos e dúvidas, pela mesma ânsia de trilhar um caminho de sucesso, independente da minha escolha.

E, assim o livro mostra um pouquinho o que acontece por trás das cortinas de um teatro. Para quem nunca participou de pequenas peças escolares ou fez um curso “Perdendo-me” pode sanar um pouco a curiosidade sobre as dificuldades de ser ator. E pra quem, como eu, já teve contato com essa área das grandes artes, a emoção da Bliss quando ela fala de uma apresentação chega a provocar arrepios e invocar lembranças de uma maneira poderosa.

Outro tema abordado na trama desse New Adult é o do melhor amigo apaixonado. Quem nunca passou por isso? Às vezes sendo o amigo apaixonado, às vezes sendo aquele que fica na saia justa por não corresponder ao sentimento como o outro merece. A autora consegue com maestria mostrar que a vida continua, apesar das feridas que essas situações sempre provocam.

Os volumes seguintes da série contam o romance de personagens apresentados neste primeiro volume. As capas de “Fingindo” e “Encontrando-me”, segundo e terceiro volume respectivamente da série, estão na contra capa do livro, indicando que logo serão lançados pela editora. Resta-nos apenas torcer para que os contos entre um volume e outro – o que chamo de livros de transição – também sejam publicados, mesmo que apenas em formato digital.

Uma leitura muito rápida – terminei as 286 paginas em um pouco mais de 3 horas -, altas risadas garantidas e personagens carismáticas, “Perdendo-me” é um clichê fofo, um romance doce, uma distração naquele momento em que o estresse do dia já está por consumir tudo o que há de bom, com certeza esse livro irá conquistar seu carinho.



0 comentários: