Divergente - Eri

07:30 Érica Guimarães 0 Commentários


Título Original: Divergent
Autor: Veronica Roth
Tradutor: Lucas Peterson
ISBN: 978-85-7980-131-0
Gênero: Literatura Infantojuvenil
Páginas: 502
Nota: 5/5
Estante: Skoob
Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino / Amazon

Sinopse: Nesta versão futurista da cidade de Chicago, a sociedade se divide em cinco facções dedicadas ao cultivo de uma virtude – a Abnegação, a Amizade, a Audácia, a Franqueza e a Erudição. Aos dezesseis anos, numa grande cerimonia de iniciação, os jovens são submetidos a um teste de aptidão e devem escolher a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas. Para Beatrice, a difícil decisão é entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é – não pode ter os dois. Então faz uma escolha que surpreende a todos, inclusive a si mesma.
Durante a iniciação altamente competitiva que se segue, Beatrice muda seu nome para Tris e se esforça para decidir quem são realmente seus amigos – e onde se encaixa na sua nova vida um romance com um rapaz fascinante, porem perturbador. Mas Tris também tem um segredo, que mantem escondido de todos, pois poderia significar sua morte. Ao descobrir um conflito crescente que ameaça destruir sua sociedade aparentemente perfeita, ela também aprende que seu segredo pode ajuda-la a salvar aqueles que ama... ou destruí-la.

Comentários:

Bonjour Anges!!

Hoje na “Pilha do Anjo” trago para você o inicio de uma trilogia que acompanho há mais de um ano, mas que resolvi resenhar apenas agora em que está terminada. Esse livro atiçava muito a minha curiosidade. Mesmo ele estando na minha estante há meses depois de comprado demorei um pouco pra ler, mas fiz bem, porque aproveitei o lançamento do segundo livro da trilogia, “Insurgente”, e evitei sofrer muito com a espera pela continuação – coisa que infelizmente não aconteceu com o último.


A história de Divergente acontece em uma Chicago futurista. Nesse mundo distópico, depois de muitas guerras, os antepassados dos personagens chegaram à conclusão de que a culpa do mundo em guerra era da personalidade humana e sua inclinação para fazer o mal e não de suas crenças, raças ou política. Eles então se dividiram em facções que procuram erradicar as qualidades das quais cada uma acredita ser responsável pela desordem mundial. Ao todo são cinco facções: a Amizade, cujos membros culpam a agressividade e são dados às artes; a Erudição, dos quais os membros culpam a ignorância e são dados a todo o tipo de estudo; a Franqueza que culpa a duplicidade, e são tão sinceros que não se importam se acabam sendo mau educados ou insensíveis; a Abnegação que encontra seu culpado no egoísmo sendo totalmente altruístas; e por fim a Audácia, cujos membros culpam a covardia, sendo os mais loucos e ousados dentre todas as facções.

A protagonista dessa distopia é Beatrice, uma garota da Abnegação que tem uma vida simplória: desde pequena ela é treinada e educada para ser altruísta, amável, sempre pronta para ajudar ao próximo. Porém, ela acha muito difícil agir dessa maneira.

Ao completar 16 anos, ela e todos os jovens passam por um teste aptidão que revela de qual é a facção a qual a pessoa deve pertencer e é aqui que tudo começa a mudar na vida da Beatice. O teste dela é inconclusivo, ou seja, não se define a apenas uma das facções, sendo assim ela é uma Divergente. E por algum motivo que ninguém explica para ela, os Divergentes são considerados perigosos. Ela decide então abandonar a família e seguir para a facção da Audácia onde ela escolhe um novo nome – Tris – e onde deverá enfrentar um treinamento duro e, muitas vezes, cruel para garantir o seu lugar lá dentro, ou então se tornará uma sem-facção.

Beatrice, ou Tris, é uma ótima protagonista. Ela é esperta, ágil e apesar de ser uma garota não é uma personagem melosa ou chata como geralmente costumam ser algumas personagens principais. Ela tem seus princípios e crenças, honra-os e luta por eles, e não tem papas na língua. E o mais legal é que mesmo já sendo assim no inicio da historia, com o decorrer da trama a Tris amadurece muito.

Mesmo os personagens secundários são bem redondos e é muito fácil para o leitor criar uma relação com eles. Senti verdadeiro ódio e desprezo por alguns personagens e muito ressentimento por outros. Eric é um ótimo exemplo de desprezo: ele é o líder dos recrutas da Audácia que precisa o tempo todo se auto afirmar para os seus alunos, seus superiores e para si mesmo. E temos também o outro lado da moeda: Quatro, que não é menos rígido que Eric, porém tem uma opinião completamente diferente do significado de coragem e do que devera ser praticado dentro da facção.

Questionamento é a palavra que define o livro. O tempo todo vemos Tris questionar tudo e todos à sua volta e nos leva a pensar com ela. Será que segregar as pessoas em facções é a melhor opção? Podemos mesmo apresentar aptidão para somente uma facção? Passei o tempo todo durante a minha leitura, me questionando e debatendo com as opiniões da Tris.

E é justamente essa crítica social que dá mais corpo ao livro. O antagonismo entre as facções mostra que mesmo tentando coexistir em paz está na natureza humana os sentimentos ruins que levam às guerras e à destruição de valores.

O único ponto fraco pra mim, é que algumas revelações que deveriam ser bombásticas aos meus olhos se entregaram muito rápido. Não sei se é por conta de ser um livro mais juvenil, ou pelos meus estilos de leituras fazer com que os detalhes sejam pescados no ar, mais algumas teorias que criei no inicio da leitura apenas se confirmaram. Não que isso seja ruim, apenas acaba um pouco com o impacto do fator surpresa.

A escrita é sutil, capaz de te dar um abraço e um tapa em seguida. O modo com que a autora narra a história é leve, flui com rapidez, e as 502 páginas voaram em minhas mãos. Não consegui largar o livro enquanto não acabava de lê-lo, e fiquei em estado de choque quando aconteceu, afinal fazia tempo que eu não lia um livro desse tamanho em apenas um dia. O final é de tirar o fôlego e te deixar ansioso por mais.

Impossível não fazer a comparação clássica, não é mesmo? Acredito que todos esperem por isso. Realmente esse assunto é muito polêmico, comparam muito Divergente com Jogos Vorazes, mesmo não possuindo a mesma história e nem algo semelhante, algo totalmente distinto, mas que ainda assim, procuram algo para “comparar”, são trilogias distópicas, mas com assuntos diferentes. Talvez o fato das protagonistas serem garotas em ambos, ou talvez às criticas sociais envolvidas aumentem essa necessidade de comparação. Mas, acreditem, apesar de ser distopia, apenas isso há de semelhança com a criação de Suzanne Collins.

Para os fãs da distopia, o ultimo dia 20 de março foi muito esperado, pois foi quando lançaram aqui no Brasil o filme “Divergente”, tendo como protagonistas Theo James como Quatro e Shailene Woodley como Tris. A adaptação ficou muito fiel, com muitas cenas de ação e uma boa dose de romance – sem que ficasse meloso demais (assim como no livro).

Para que curte distopia “Divergente” é um dos ótimos exemplos do gênero, com muita ação, uma dose de romance e uma boa filosofia. Uma leitura que com certeza irá ganhar cada vez mais fãs por ser envolvente e bombástica.


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