Minhas Lembranças de Leminski

08:30 Milena Cherubim 0 Commentários

Título Original: Minhas Lembranças de Leminski
Autor: Domingos Pellegrini
ISBN: 978-85-8130-220-1
Gênero: Biografia – Poetas Brasileiros
Páginas: 200
Editora: Geração
Nota: 4/5
Estante: Skoob
Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino






Sinopse:Pé vermelho (Domingos Pellegrini) entra em contato com a obra de Polaco (Paulo Leminski), no ano de 1964, ao ler um artigo deste na revista Invenções. Alguns anos depois eles se conhecem, iniciando uma amizade que dura duas décadas. Vinte e cinco anos depois, tendo Leminski já falecido, Pé Vermelho recebe a proposta de uma editora para escrever sua biografia. Como já havia uma lançada, O Bandido que sabia latim, de Toninho Vaz, ele fica em dúvida sobre como deve fazer, e se deve fazer. Pede um tempo pra pensar. Tem, então, um sonho onde está preparando sopa num caldeirão, com Leminski, este a adicionar páprica, ‘tempero fino’, à sopa comum. Ele interpreta com humor: deve escrever algo incomum, não uma biografia convencional, mas algo além, algo escrito pelos dois, sobre as faces poliédricas de Leminski, que tanto escreveu sobre pedras…

Comentários:
Biografia? Não sei não. Domingos Pellegrini é jornalista, foi amigo de Paulo Leminski por mais de 20 anos e descreve esse livro mais como uma vida vivida com Leminski do que uma biografia mesmo. O que eu, particularmente, achei muito bom. Como vocês sabem eu gosto de biografias, já li algumas. Porém essa me pegou de jeito.

Pé Vermelho, como era conhecido Pellegrini, conta como conheceu o Polaco. Conta de momentos engraçados. Divagações. Noitadas regadas à poesia, política, cultura e muita bebida.
Nunca li nada de Leminski, mas quando veio o e-mail da Geração mandando os lançamentos do mês, eu achei interessante e pedi. Não me arrependo, pois gostei da imagem que Pé Vermelho mostra de Leminski. Aqui vemos como ele era. Um ser humano comum, com vícios, que não sabia se controlar, pois seu corpo forte pra bebida e infelizmente a bebida o levou aos 44 anos.
Suas poesias não eram clássicas. Paulo Leminski inventava palavras juntando duas em uma. Fazia Haikai, três, quatro versos. Algo que acontecei com ele no momento ou algo que via na TV ou no jornal.
Seu ego era inflado ao máximo, mas o de Domingos também. Era uma briga de gigantes pela audiência poética. Tem uma citação que gostei bastante onde Pé Vermelho explica como era a escrita de Polaco.

“Pé Vermelho, então, lembrará daquele primeiro artigo que leu de Leminski, uma misturança de gêneros e Genesis, idiomas e gírias, signos e sacadas. Como ele  era uma mistura de raças. Como sua literatura era uma mistura de erudição e sacação, português e inglês, tensão e relaxo, carne e espírito.” (pág. 12)

E a sacada do jornalista de fazer em duas vozes esse livro foi mágico. Você percebe uma mudança de voz no texto. Claro que foi escrito somente por uma pessoa, mesmo porque o Paulo já havia morrido há tempos. Mas era como se eu estivesse na cena recriada por Pellegrini. Nas conversas, nas discussões, nos momentos bons, nas viagens...
É... essa biografia não é uma biografia convencional e eu acho que isso é o que vai pegar, pois quem gosta de poesia e conhece o Polaco vai querer conhecê-lo um pouco mais e não só as suas poesias. E quem, como eu, nunca leu nada, mas ficou curioso com o poeta bigodudo vai ler e se deliciar com as ideias, poemas e momentos únicos que Pé Vermelho compartilha.
No fim do livro é possível ver uma carta da esposa de Leminski que não queria que essa história saísse com as coisas que saíram. Mostrando um homem super inteligente que se negligenciava. Não tomava banho, não tinha comida suficiente em casa nem pra família e muito menos para as visitas. Um cara que bebia demais. Eu acho super viável não se esconder nada. Pois Paulo Leminski foi um humano e comete erros. Principalmente se matar aos poucos. Como todos seus heróis, Polaco morreu cedo.





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