O Diário Serial

08:30 Érica Guimarães 0 Commentários


Autor: Igor Castro
ISBN: 978-85-64469-78-5
Gênero: Ficção Brasileira
Páginas: 224
Editora: Dracaena
Nota: 4/5
Estante: Skoob
Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino










Sinopse: Verão no litoral catarinense. Uma época de sol, calor e muitas festas. Mas esta rotina paradisíaca mudará quando uma série de assassinatos assolar a cidade, em eventos nunca antes presenciados.
Um serial killer está solto, escrevendo em seu diário seus mais profundos e aterrorizantes sentimentos, descrevendo como se sente quando mata e como pretende continuar com seu plano.
Uma mente complexa, bizarra, que é capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos obscuros, e que tem em seu diário pessoal seu principal confidente.
Nos locais dos crimes, pistas e indicações apontam para a próxima vitima. Nenhum detalhe pode ser ignorado. Mas as vitimas não são escolhidas por acaso.
Todas elas têm uma forte e peculiar ligação com o assassino.
A única esperança da cidade é uma dupla de jovens policiais, que caçarão o assassino nos mais diversos cantos da Ilha da Magia.
Da magnifica praia de Moçambique à histórica Catedral Metropolitana, da fantástica Jurerê Internacional ao longínquo bairro do Rio Vermelho, Rodrigo e Gomes seguirão as pistas deixadas pelo serial killler para tentar alcançá-lo antes que ele consiga finalizar a sua obra macabra.
Um thriller bombástico do início ao fim, que colocará o primeiro serial killer em terras florianopolitanas, observando de perto os passos de suas vitimas, pronto para fazer com que elas paguem seus pecados com o próprio sangue...



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Bonjour Anges!

Hoje é dia de mais uma leitura da nossa “Pilha do Anjo”. E dessa vez trago pra vocês um livro nacional. O Diário Serial é o livro de estreia do nosso autor parceiro Igor Castro. Quando o livro chegou, após ser gentilmente enviado pelo autor, já fiquei curiosa ao ler a sinopse. Eu simplesmente AMO thrillers, sou fissuradas por eles e poder conferir um nacional me deixou empolgada.


Ao iniciar a leitura não me desapontei, logo nas primeiras paginas, tendo por introdução as páginas do diário do assassino já me senti presa pela narrativa. A loucura, o amor pela morte e o desejo de vingança era tão palpável que simplesmente me apaixonei.

A história fala sobre um serial killer  que está à solta no litoral catarinense. Ao encontrarem uma caixa com um crânio e um crucifixo em seu interior, os policiais Rodrigo e Gomes começam uma investigação desse assassino que promete matar várias pessoas na cidade de Florianópolis. Em cada vítima, o autodenominado "O Juiz" dá pistas de qual seria seu próximo assassinato, aparentemente tentando manter uma relação, às vezes impensável, entre as vítimas.

Desde então a população fica aterrorizada com as mortes que chocam a cidade e as pessoas passam a temer ser a próxima vítima do psicopata. Ao matar, O Juiz descreve em um diário cada crime cometido, um a um. Mas o que o levou a fazer tais assassinatos em série? Qual a relação de todas as vítimas entre si? Qual a verdadeira identidade de O Juiz?

O Juiz, aparentemente, tem a intenção de fazer justiça com as próprias mãos. Motivado por uma injustiça do passado, ele tenta reparar o erro começando a matar àqueles a quem julga culpados de seu destino. Em cada vítima escreve uma letra do seu codinome, começando por "O", depois "J", assim por diante, até completá-lo, e deixa objetos que indicam qual pessoa será a próxima a morrer.

A história segue narrada em terceira pessoa com exceção das partes do próprio diário serial, o que é extremamente conveniente e consegue criar ainda mais suspense e mistério. O autor consegue equilibrar a narração entre as investigações, o diário e um pouco das vidas de cada vítima, essas últimas muito interessantes, porque nos ajudam a entender o motivo das condenações que receberão aquelas pessoas, conhecendo-as um pouco mais.

O cenário foi um personagem a parte nesse livro. Para quem, como eu, não conhece a capital catarinense, Florianópolis foi usada de uma ponta a outra, exaltando sua beleza, seus pontos turísticos. Realmente fiquei com muita vontade de conhecer pessoalmente os lugares onde cada crime aconteceu.

O que realmente faltou para se tornar um dos meus livros favoritos foi a crueldade. Achei que o assassino, inteligente do jeito que era para arquitetar toda essa vingança minuciosa e amante da morte, poderia ter se “divertido” mais. Tirando a primeira morte, do Padre Rosa, as restantes foram tão simples. Faltou sangue, tortura, frieza e criatividade... Não me condenem, amo essas coisas sanguinárias e chocantes.

Os dois detetives do caso, Rodrigo e Gomes, apesar de muito inteligentes e bons profissionais também não conseguiram me cativar. Talvez seja por conta do calor da investigação, mas faltou alguma coisa que os deixassem mais críveis, que criasse uma conexão maior com o leitor.

Mas, o final traz uma reviravolta tão grande, que entrei em choque de surto. Simplesmente amei. Adoro finais assim. Bem, pra saber o que tanto amei só lendo, pois se eu falar qualquer coisa poderá acabar com toda a graça do livro.

A capa de César Oliveira chama bastante a atenção. É uma folha toda manchada em sangue, com marcas de dedos. Jogando com tons de vermelho, laranja e preto cria o clima para uma historia regada de crimes e sangue. Apenas o subtítulo me deixou meio perdida antes de ler a sinopse: “Pronto para fazer com que elas paguem seus pecados com o próprio sangue...”. Esse “elas” me fez pensar no inicio que o padrão do serial killer seria mulheres, mas no final foi o contrario, já que predominou a morte de homens. Mas, o “elas” pode estar se referindo às vitimas. Achei um pouco confuso de qualquer forma.

Com a trama mais focada nos casos, não deu pra definir muito a personalidade de cada personagem. Rodrigo é um bom policial, com alto senso de justiça, que gosta de passar suas folgas na praia (ao menos deseja por isso), Gomes é mais quieto, aparentemente mais sério, mas tão inteligente quanto Rodrigo. Mas, com o calor da investigação, os dois como pessoa somem e só conseguimos vê-los como policiais, como peça para resolver o enigma. Senti um pouco de falta dessa humanidade que acrescenta credibilidade aos personagens. Já o nosso assassino é algo mais palpável, já que temos acesso às paginas de seu diário. Ele ficou bem retratado como o psicopata que é e a motivação que o levou a agir.

Os fãs de um bom thriller podem pegar “O Diário Serial” sem medo de não encontrar aquilo que se espera de uma história como essa. Como todos os livros do gênero, a escrita é em ritmo acelerado e sempre prezando os detalhes, principalmente, neste caso, quando o serial killer está em ação. Por se tratar de um livro curto e escrito tão bem, a leitura poderá ser feita em poucas horas, mais um detalhe que engrandece a obra. Está mais que recomendado essa leitura!


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