A Noiva Despida

08:30 Érica Guimarães 0 Commentários


Título Original: The Bride Stripped Bare
Autor: Nikki Gemmell
Tradutor: Tânia Ganho
ISBN: 978-85-8044-646-3
Gênero: Romance, Adulto
Páginas: 352
Editora: LeYa
Nota: 2,5/5
Estante: Skoob
Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino

Sinopse: Uma mulher desaparece. Ela era a esposa perfeita, a mãe exemplar, uma mulher irrepreensível. O que dizer então do diário explosivo que deixa para trás? Nas suas páginas, ela revela detalhes surpreendentes da sua jornada de descoberta e libertação sexual.

Ela inicia o seu diário em Marrocos. Está em lua de mel. Acredita ser feliz na sua vida confortável e convencional. Mas ela precisa de mais. Ao descobrir um livro raro, de uma autora anônima do século XVII, sente-se inspirada pela sua heroína fogosa, que desafia as convenções e busca o prazer. Mas o que começa apenas na sua imaginação, rapidamente ganha contornos de urgência. Pela primeira vez, ela põe em prática o que de mais íntimo e inconfessável existe em sua alma. Assim começa uma vida dupla na qual transpõe a barreira entre fantasia e realidade, num mundo onde o desejo não conhece limites.
Mas o preço dessa liberdade pode ser muito alto...
A Noiva Despida é uma aventura no limiar entre o sexo e o amor. Uma troca de confidencias que apenas as melhores amigas ousam fazer. No final, é impossível evitar a pergunta: até que ponto conhecemos verdadeiramente outra pessoa?


Comentários:

Bonjour Anges!!

Bem-vindos a mais uma sessão quente na nossa “Pilha do Anjo”. O escolhido da vez é um livro que pode ser catalogado junto com “Juliette Society” em eróticos fora do padrão. Mas, a semelhança para por aí. “A Noiva Despida” é outro erótico que aborda mais o psicológico feminino do que a parte erótica em si.

O livro tem um começo bem lento, até mesmo meio confuso. É escrito como se fosse um diário pessoal ou um manuscrito de um livro e tem seus capítulos bem curtos, mas impactantes, que são chamados de “Lições” e sempre trazem frases que boas donas de casas devem saber para reger bem seu lar. E nesse manuscrito a protagonista discorre sobre sua vida.

Uma coisa interessante é que todos os personagens tem nomes, descrição do físico, mas a protagonista é citada apenas como "Você", sem descrição nenhuma, o que faz com que o leitor interaja, como se os acontecimentos pudessem ter acontecido com qualquer pessoa que conhecemos ao mesmo tempo em que a ideia do livro ser anônimo é intensificada.

Então, o inicio de tudo isso é a protagonista falando do seu relacionamento dos sonhos. Ela está em lua-de-mel em Marrocos, feliz e satisfeita com muitas coisas. Acha sua vida confortável e invejável por todos que anseiam essa mesma estabilidade que ela conseguiu. Mas, descobre que sua bolha de felicidade conjugal é mais frágil do que imaginava, pois ao ouvir seu marido ao telefone desconfia que ele tenha um caso com sua melhor amiga e isso mata tudo o que ela tanto apreciava.

Os dois permanecem juntos apenas por comodidade e então a protagonista num acaso conhece outra pessoa, Gabriel, um ator espanhol que guarda um segredo, por baixo de toda a serenidade e gentileza ele se mantem afastado por conta disso. A protagonista com toda a convivência com ele começa a nutrir fantasias, mas não deixando passar disso, deixando tudo apenas na imaginação para que não corra o risco de se tornar algo frio como seu casamento. Porém, essas fantasias viram desejo e aumentam quando ela começa a receber cartas e presentes anônimos. E ao tentar se aproximar de Gabriel achando que ele é o autor dessas cartas e assim consumar essa traição que ela já segue em pensamento descobre o segredo dele e a historia da vida dele e se resolve ajuda-lo. E é assim que a traição mental passa a ser algo físico, onde a troca de prazeres muda completamente sua vida.

Por conta do fracasso de seu casamento, a protagonista havia se tornado alguém amarga, que fica feliz com a desgraça alheia, principalmente porque seu marido, ao casar, fez com que ela largasse seu emprego como professora na universidade de jornalismo, deixando-a vulneral e dependente financeiramente, mas essa sua vida dupla lhe trouxe um novo sopro de vida, ela se sentia jovem novamente, e mesmo com toda essa mudança em seu interior seu marido nada percebia, a relação deles estava completamente estagnada no fracasso. E aí há um detalhe que não se pode deixar escapar: a própria protagonista pediu Cole, o marido, em casamento. Então ficam as perguntas: por que ele aceitou? O que ele quer ao permanecer nesse relacionamento estranho?

Os encontros com Gabriel era uma travessura que dava liberdade para a protagonista, foi onde ela teve total controle sobre sua vida sexual, onde teve seu primeiro orgasmo. Mas, o que ela nem imaginava era que seu amante, moldado de forma perfeita para agradar uma mulher, acabaria por se apaixonar por ela e esse sentimento acabou por ser a ruína desse período de sua vida.

Em meio a tudo isso, a protagonista desenterra um livro anônimo que está na sua família desde seu bisavô e que fala sobre os desejos ocultos e libertinos de uma mulher que viveu em 1800 e possuía uma vida dupla e isso incentiva a protagonista a escrever um livro em resposta ao que possui, falando sobre todos os desejos que as mulheres têm, mas que nunca falariam aos seus maridos, e faz isso anônimamente também e que por sinal é o próprio “A Noiva Despida”.

A partir daí o texto reflete toda a confusão que se passa na cabeça da protagonista e o desfecho de tudo isso, que já se era sabido desde o inicio, mas que deixa dúvidas e fica pela escolha do leitor deduzir o que a protagonista realmente fez.

Gostei muito do Gabriel e sinto muita tristeza em relação ao final dele, ele merecia mais do que teve. Gostei da forma como a gravidez foi abordada e como a maternidade em si foi retratada, chegou a ser poético, porém realista ao mesmo tempo. Esse livro traz uma perspectiva interessante do verdadeiro caráter das pessoas e em como as aparências realmente enganam.

Uma coisa que não ficou clara e que me irritou um pouco foi o fato de muitas palavras no decorrer do texto apresentarem erros de digitação, repetições desnecessárias. Fiquei na duvidas se eram erros de revisão ou se eram intencionais para reforçar a ideia de ser um manuscrito de livro deixado para trás.

Outra coisa que me incomodou muito foi a forma como tudo foi narrado. A protagonista parece viver na década de 40, mas em alguns momentos podemos vê-la lendo Harry Potter, o que indica que na verdade eles estão no mundo moderno. Ficou tão estranho.

De todo não é um livro ruim, mas também não é um livro que eu leria de novo. Apesar de todas as descobertas sobre si mesma e todo o problema com a traição ou não do marido e a própria traição dela, o ritmo é bem lento e meio monótono, com aquele tom de rotina que não encanta mais. Esse não entrou pros meus favoritos.


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