Juliette Society

08:30 Érica Guimarães 1 Commentários

Título Original: The Juliette Society
Autor: Sasha Grey
Tradutor: Bruna Axt Portella
ISBN: 978-85-8044-896-2
Gênero: Literatura Americana, Romance Erótico
Páginas: 204
Nota: 5/5
Estante: Skoob
Onde comprar: Saraiva / Cultura / Submarino






Sinopse: Se eu te contasse que existe um clube secreto, cujos membros pertencem à classe mais poderosa da sociedade – banqueiros, milionários, magnatas da mídia, CEO’s, advogados, autoridades, traficantes de armas, militares condecorados, políticos, oficiais do governo e até mesmo o alto clero da Igreja Católica –, você acreditaria? Este clube se reúne sem regularidade, em um local secreto. Às vezes em locais distantes e às vezes escondidos. Mas jamais duas vezes no mesmo lugar. Normalmente, nem mesmo duas vezes no mesmo fuso horário. E esses encontros, essas pessoas... Não vamos enrolar, vamos chamá-las do que são, os Mestres do Universo. Ou o Braço Executivo do Sistema Solar. Então, essas pessoas, os Executivos, usam os encontros como uma válvula de escape do cansativo e estressante negócio de estragar ainda mais o mundo e criar novas maneiras sádicas e diabólicas de torturar, escravizar e empobrecer a população. E o que eles fazem em seu tempo livre, quando querem relaxar? Deveria ser óbvio. Eles fazem sexo.

Comentários:

Bonjour Anges!!

Hoje nossa “Pilha do Anjo” está completamente quente. Esqueça tudo o que já comentamos aqui sobre o gênero erótico, o livro de hoje está em outro patamar. Nossa parceira LeYa está com um lançamento de tirar o fôlego – literalmente – e a grande jogada de marketing começa pela autora.


Bem, Juliette Society é o livro de estreia de Sasha Grey, pra muitos isso seria algo muito corriqueiro, uma aposta nova da editora ou algo do gênero. Mas, o que diferencia essa autora das demais para influenciar tanto no marketing do livro? Ora, é simples, Sasha Grey nada mais é do que uma renomada ex-atriz pornô. Isso mesmo!! E como o livro traz essa temática é óbvio que isso chama ainda mais atenção, afinal, ela tem MUITO conhecimento de causa.

E falando em conhecimento de causa, quando eu citei no inicio que era melhor esquecer o que já comentamos sobre livros eróticos eu estava falando sério. Afinal, hoje em dia o livro com temática adulta se resume em mocinha quase inocente se autodescobrindo por conta de achar seu “príncipe encantado” – geralmente rico – e descobrir o amor de sua vida, superando traumas passados e vivendo felizes para sempre. Se você espera encontrar isso em Juliette Society é melhor nem abrir o livro.

Sasha Grey é ousada e mostra a sexualidade feminina de um jeito, digamos, mais escrachado. Mais natural. Em todo o livro o que vemos é que sexo não é algo sujo e sim inerente a qualquer ser humano, pois sexo – literalmente – é vida. E mais, sexo é poder! E por que não curtir isso devidamente? De uma forma mais ampla, o falso moralismo não entra em jogo nesse livro.

Catherine é a protagonista e narradora dessa história. Ela é uma jovem estudante de Cinema, mora com o namorado e gosta de sexo. Sim, nossa “heroína” não é tímida e nem recatada, ela realmente gosta de sexo, mas de uma forma normal, afinal foi criada numa família católica praticante. Seu diferencial é ser sonhadora, tendo fantasias com seu namorado ou Marcus – seu professor na faculdade. E é graças a essas fantasias com seu professor que Catherine conhece Anna.

Fazendo como o Jack, o Estripador, vamos por partes! Catherine mora com seu namorado, que por ironia dessa resenhista loira que vos escreve, se chama Jack. E Jack é um workaholic, daqueles que esquecem que possuem uma vida pessoal e mergulham de cabeça no trabalho. E esse trabalho em questão é a campanha de Bob, um ser que quer se tornar Senador. E esse lado todo concentrado de Jack faz com que ele negligencie completamente os desejos de Catherine, o que acaba sendo o estopim para que ela fantasie mais do que o normal.

É assim, que essa fantasia com o Marcus acaba virando quase uma obsessão e acaba chamando a atenção de Anna, que é nada mais nada menos que uma amante casual do professor. Não que Anna se importe de dividir essas fantasias com Catherine, ao contrário, Anna é uma garota que trabalha para um site pornográfico chamado SODOMA, especializado em sadomasoquismo, e assim consegue pagar a faculdade. Mas, não pense que ela trabalha nisso por extrema necessidade. Já disse, nesse livro não tem falso moralismo: Anna trabalha com isso porque realmente gosta. Para ela não há tabu no sexo, ela é totalmente ciente do que gosta, do que provoca nos outros e é essa liberdade que tanto atrai Catherine.

E esse contato com Anna libera um lado ainda mais fantasioso e necessitado da protagonista, que deixa escapar um pouco para o namorado que simplesmente a repele e pede o famoso “tempo”, um espaço para que ele possa trabalhar na campanha eleitoral de Bob enquanto as coisas estranhas passam. Ou seja, Catherine se vê livre e sozinha, o que dói nela, pois é claramente visível o quanto ela adora o namorado.

E pra não se entregar a depressão da situação, Catherine começa a sair mais com Anna, principalmente para entender a visão dela e o que a faz gostar da vida que leva. E assim Catherine visita a Fuck Factory, um clube do sexo, um lugar escondido do mundo onde a única regra é obter prazer. Um clube onde qualquer um com desejo pode ir, é claro, se souber de sua existência. Esse clube em especifico é frequentado por qualquer um independente da classe social. E Catherine começa a conhecer ainda mais esse universo cercado de prazer e realizações, e começa a conhecer ainda mais a si própria.

Mas, não é apenas a Fuck Factory que as duas vão, por conta de Bundy, um amigo das duas, elas acabam indo parar em um clube do sexo mais requintado, mais pomposo. Sim, se você imaginou que esse clube em questão é o Juliette Society, acertou em cheio! E é justamente nessa reunião que Catherine que até então tem sido mera expectadora como a partir para a ação.

E, uma vez que Catherine entrou na Juliette Society sua vida mudou completamente. Sua visão sobre sexualidade e sobre muitas coisas mudam e a faz repensar sobre o preço que uma experiência tem. No custo-benefício de algumas escolhas. E é nesse meio que Anna simplesmente desaparece. E ao procurar por sua amiga Catherine realmente entende como funciona todo esse universo da Juliette Society.

Esse livro é incrível. A autora o recheia com muitas citações de clássicos e filósofos do cinema, mostrando que realmente domina o assunto. E mescla essa conhecimento, entrelaçando seu significado com a trama.

O final é impactante. Não vou dizer que é impossível de se imaginar, mas a forma como tudo foi construído para esse final o torna grande, irônico e sarcástico. Somado a isso, a cenas de sexo são descritas de maneira que realmente lembre filmes pornô, o que aumenta o toque de realismo que a autora deu.

Resumindo, Juliette Society não pode ser considerado um erótico convencional. Ele é uma critica ao poder, à politica, ao falso moralismo, aos conflitos internos. É um livro a ser degustado, mais do que um simples entretenimento, é um livro que nos faz pensar em nossos próprios desejos e o que tudo isso implica nas escolhas que fazemos. Está mais do que recomendado!


Um comentário:

  1. Oi, Eri.
    Gostei de ver a sua empolgação com esse livro, mas para mim ele foi a maior decepção!! Quase larguei a leitura no meio! Acho que a sinopse prometia uma coisa completamente diferente! Chegou um certo momento que passei a acreditar que tudo não passava de uma completa piração da cabeça da Catherine!! rs...
    beijos
    Camis - Leitora Compulsiva

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