Notícia: Livro de Amanda Knox é aposta arriscada para editoras

07:50 Milena Cherubim 0 Commentários

Empresas avaliam se leitores dos EUA verão com simpatia memórias de jovem americana absolvida de assassinato na Itália

The New York Times | 16/02/2012 07:03

Amanda Knox parece ser uma jovem discreta e inteligente que cita romances literários que a comoveram. Ela afirma que sempre sonhou em ser escritora e disse a editoras, editores e publicitários que seu livro contaria a verdadeira história do que aconteceu em Perugia, Itália.

"Todo mundo se apaixonou por ela", disse um editor executivo que participou de uma das reuniões com Amanda, ecoando os sentimentos de várias pessoas que se reuniram recentemente para discutir a possibilidade de ela publicar seu livro de memórias.

Mas apesar de todo seu charme, a história de Amanda é complexa, perturbadora e ainda debatida por um público americano que gosta de tomar partido quando se trata de questões morais.

Isto faz com que o próximo passo seja mais difícil para as editoras, que nesta semana disputaram os direitos de sua autobiografia. Amanda foi presa em 2007 pelo assassinato de sua companheira de quarto, Meredith Kercher, no que os promotores descreveram como um crime passional. Ela passou quase quatro anos em uma prisão italiana e foi absolvida em outubro de 2011, após um tribunal ter anulado a condenação original.

A onda de atenção da mídia, que certamente irá acompanhar o lançamento do livro - normalmente uma coisa boa para as editoras – é acompanhada por alguns riscos.

Para parte do público, Amanda é uma estrangeira inocente que foi presa por um crime que não cometeu. Para outros, é uma perigosa e esperta mulher que conseguiu se safar da condenação por assassinato.

E isso levanta algumas questões difíceis: Será que os leitores americanos veem Amanda como uma figura simpática? O possível lucro de quase sete dígitos esperado pelas editoras vale o risco?

"Acho que o risco é grande", disse um editor que não tinha a intenção de dar um lance para a compra do livro e não quis ser identificado porque o leilão foi privado. "Ela não foi absolvida do crime de uma maneira clara e definitiva."

No entanto, o livro desencadeou um frenesi entre as editoras que viram as possibilidades dramáticas de uma história contada através do ponto de vista de Amanda: um relato do que acontece quando uma jovem estudante de classe média sai de Seattle e vai para a Itália, onde é acusada de matar sua companheira de quarto e acaba presa, sem ter o que fazer diante do que muitos americanos veem como um sistema judicial arcaico e brutal.

Grande parte do livro, segundo os editores, será baseado nas lembranças de Amanda sobre o tempo que passou na Itália, registrados nos diários que ela escreveu enquanto estava na prisão. O editor que finalmente adquirir a obra também poderá ter o direito de aproveitar da publicidade e de sua celebridade para atrair outros autores, mesmo que o livro da jovem não venda tão bem assim.

A família de Amanda tem tido paciência para contar a sua história. A jovem retornou à sua cidade natal logo após ter sido libertada da prisão da cidade italiana de Perugia, onde ela e o ex-namorado, Raffaele Sollecito, haviam sido condenados por assassinato e sentenciados a 26 e 25 anos de prisão, respectivamente.

Sollecito, que está morando na Itália, contratou a agente literária Sharlene Martin, de Seattle, e o escritor fantasma Andrew Gumbel, que planeja escrever um livro de sua autoria.

Ao invés de correr para publicar seu livro logo após sua libertação, Amanda esperou meses para se encontrar formalmente com as editoras.

Para representá-la, ela escolheu Robert B. Barnett, advogado de Washington que já lidou com os direitos dos livros escritos por Barack Obama, George W. Bush, Bill Clinton e Elton John. Barnett tem uma reputação de ser muito meticuloso, outra indicação de que Knox não tem pressa para fazer um acordo. Barnett não quis ser entrevistado sobre o livro.

O fato de Amanda ter ficado longe do centro das atenções só fez com que seu livro se tornasse ainda mais cobiçado. "A obra terá um apelo muito amplo", disse um executivo cuja editora está entre as interessadas. "O mundo já ouviu o ponto de vista de muitas outras pessoas sobre o caso, mas o mundo ainda não sabe o ponto de vista de Amanda Knox."

O quão bem o livro irá vender no exterior é incerto. A opinião pública na Itália tem se mantido contra Amanda, mas o interesse no caso não é tão grande a ponto de tornar o livro um rápido best-seller.

Outros livros sobre o caso de Amanda venderam apenas modestamente. "The Fatal Gift of Beauty" (O Dom Fatal da Beleza, em tradução literal), de Nina Burleigh, publicado em agosto pela Broadway Books, tem 20 mil exemplares impressos. Uma edição em brochura está prevista para ser publicada em julho e deve incluir novas informações sobre o caso.

Especialistas afirmam que o sucesso do livro vai depender muito da maneira como ele for escrito e se Amanda conseguirá falar com os leitores de forma honesta. "Acho que se ele tiver autenticidade e uma qualidade reflexiva, pode se tornar um sucesso", disse Roxanne J. Coady, a proprietária da livraria R. J. Julia em Madison, Connecticut. "Se for apenas uma campanha de relações públicas para limpar a sua reputação, será um fracasso."

Por Julie Bosman – Último Segundo para ver essa e outras matérias clique aqui.


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