Hi angel’s!!! Trago hoje mais uma dica pra vocês. Do mesmo autor do Legado Goldshine, Leandro Reis, nos presenteia com mais uma esperada história. Garras de Grifo. Uma nova empreitada em Grinmelken que será lançada no 1º semestre de 2012. Venha conferir o prólogo que Radrak disponibilizou em seu site.
– Pobre garoto... Ei, isso é só um braço decepado! Ele não está se movendo... Não pode agarrá-lo nem nada parecido. Olhe para ele. – disse Vélius, inclinado sobre o balcão sujo. – Não há razão para ter medo.
O garoto, que não possuía mais que 5 anos, finalmente ergueu os olhos e o encarou. Estava tudo quieto agora e o pensamento de que poderia sobreviver esquentou-lhe a alma. O homem debruçado sobre o balcão sorria amavelmente. Tinha cabelos brancos, curtos e descuidados, que pareciam mesclar-se às sobrancelhas grossas e longas. Uma barba espessa, de meio palmo, terminava seu rosto magro. Era um velho e, pelo medalhão dourado balançando em seu pescoço, poderia bem ser um sacerdote de algum deus.
– Está vendo seu pai? – O velho apontou mais adiante, esticando-se com um suspiro. – Ele apenas desmaiou. Levante-se e vá até ele.
O garoto olhou mais uma vez para o braço à sua frente.
– Seja um homem! – falou Vélius, de modo severo.
Vendo que o jovem não se moveu, o homem afastou-se para pegar um garfo e retornou, jogando-se no balcão e esticando o máximo que pode, cravando os dentes de metal na carne morta e levantando-a como uma coxa de frango. Com um suspiro, ele retornou para a posição de antes e arremessou braço e garfo sobre o ombro.
– Pronto, o braço sumiu. Agora vá lá e dê uns tapas na cara de seu pai para ele acordar.
Aliviado, o garoto levantou-se, contornou a poça de sangue à sua frente e caminhou até o pai. O homem estava de bruços, com os cabelos cobrindo o rosto. O peito movia-se vagarosamente, a cada respiração.
– Vamos! Não temos o dia todo. – acelerou o sacerdote, apertando a barba contra o rosto. – Dê um belo tapa na cara, esprema seus ovos, ou enfie...
O garoto chutou as costas do homem.
– Pai... – chamou com voz chorosa. – Pai!
– Serve também. – consentiu Vélius e, vendo que o homem moveu-se, ajudou: – Ei, taverneiro, se quiser salvar seu filho, preciso que levante-se e não desmaie novamente. Essa última parte é a mais importante. Entendeu?
O homem virou-se, apoiando nos cotovelos e encarou o velho sacerdote.
– Ela... Ela ainda está aqui? – gaguejou.
– Sim sim. – respondeu o velho. – E já ouvi planos de que vão atear fogo em toda a taverna.
– Pelos deuses, estou arruinado...
– Ei! – O velho chamou sua atenção, estalando os dedos. – Você vai é visitar a deusa dos mortos se não se apressar. Levante-se homem. Que família de frouxos. O filho paralisa com um pedaço de braço e o pai desmaia ao ver uma cabeça ser arrancada. Esse mundo está perdido...
Vagarosamente o taverneiro levantou-se. O coração acelerou-se em prenúncio ao que imaginava encontrar à frente do balcão. Então seus olhos arregalaram-se e a visão começou a escurecer, mas o tapa forte o impediu de desmaiar novamente.
– Pelos deuses! – gritou Vélius e, entregando uma bolsa de couro ao homem, segurou-o pelo queixo. – Pegue isto e suma daqui, entendeu?
O homem olhou novamente para a taverna que o sustentara por dez anos. Não havia mesa de pé e uma das colunas havia sido partida ao meio, fazendo com que parte do teto cedesse. Então seu coração disparou e ele se esqueceu de respirar. Um suor frio brotou de sua pele e um tremor incontrolável tomou conta de seus membros.
Era aquela mulher e ela o encarava.
Estava de pé, frente à única porta de entrada. Os corpos à sua volta pareciam não acabar, partidos ao meio, decepados ou abertos e esvicerados. Os mais vigorosos ainda agonizavam em meio àquele mar de sangue e carne. E ela permanecia em meio a eles, tingida com o vermelho de suas vidas. Ostentando aquele olhar de ódio e fúria. Se todos já não soubessem seu nome, tão procurado nos últimos meses, ele a teria chamado de Morte.
Mas nem a alcunha de Morte causaria tantos calafrios aos guardas e sacerdotes mais novos. A assassina já havia erguido sua reputação, caçando soldados do Reino, dizimando tropas, mas guardando especial atenção e certo sadismo para os sacerdotes do deus da Guerra. Sobre centenas de corpos e rios de sangue, seu nome havia se solidificado na alma de cada habitante de Colisium.
Não havia como chamá-la de outro modo, ela era Garras de Grifo.
Então, com alguns passos para o lado, ela atravessou a espada gigante no corpo de um dos soldados e deixou de encará-los.
Vélius balançou a cabeça, suspirando.
– Venha... – chamou o sacerdote, apontando para a porta.
O taverneiro pegou o filho e passou-o por cima do balcão. Depois, pulou-o como pôde. Sequer lembrara-se que havia uma portinhola para sair dali.
– Eu conheço aquele guarda...
– Conhecia. – Vélius entregou-lhe o filho. – Duvido que consigam encontrar a outra metade dele. Vá!
O homem, caminhou, passando o mais distante possível da assassina e, assim que conseguiu forças, correu rumo à liberdade.
– E você? – perguntou ela, áspera como o deserto.
O velho saltou o balcão com facilidade e abaixou-se, retornando em segundos com duas canecas molhadas. Saltou novamente o balcão e entregou uma delas à mulher coberta de sangue.
Os dois se olharam e, sem dizer nada, entornaram o vinho.
– Sobreviva. – disse ele. Queria tocá-la no ombro, mas sabia que ela não gostava de ser tocada. Então se contentou em exibir um sorriso.
– Suma daqui, seu verme. – ela sorriu, tirando a espada que atravessara o corpo e a madeira do chão e colocando-a sobre o ombro. O sorriso então sumiu e seus olhos pousaram nas duas pessoas que estavam rente à porta.
Vélius apertou a barba contra o rosto e caminhou até a saída. Encarou a dupla de mercenários e, sério, deixou o local.
Garras de Grifo encarou-os, assumindo a postura de combate.
Um tinha pouco menos de trinta anos. Loiro, de cabelos espetados, usava uma armadura feita de partes diferentes, que não combinavam entre si, juntando couro e pedaços de metal. Manoplas grossas cobriam suas mãos e um cinturão com o símbolo de Cirrus, o deus da Força e patrono do elemento terra, protegia seu abdômen.
A outra, uma mulher forte, com cicatrizes nos braços e rosto, quase não usava armadura. Protegia-se com uma roupa de couro justa mais ombreiras e braceletes de metal. Trazia uma espada em cada mão, uma com lâmina dourada e outra com lâmina azul.
– Garras de Grifo... – disse a mulher, trazendo um tom de preocupação. O homem que a acompanhava, atento e cuidadoso, apenas aguardava seu comando para atacar.
– Varina... – cumprimentou em retorno. Abárbara conhecia aqueles dois e sabia o perigo que corria.
– Eu preciso derrubá-la. Mas não vou matá-la. – explicou a mercenária. Alguns soldados acumulavam-se na porta, atrás dela, ansiosos por assistir o embate lendário.
– Você vai tentar... Como todos eles tentaram. – respondeu a bárbara, apontando para os corposem volta. Então, com uma única mão, ergueu a espada gigantesca e apontou para eles. – Eu quero Caorídio!
– Cess... – chamou Varina. O homem consentiu com um gesto rápido e antes que Garras de Grifo piscasse, a dupla de mercenários a atacava como lobos bem treinados.
O grifo reagiu com toda a fúria que possuía, rasgando com garras afiadas.
Mas ali, diante dos olhares de soldados assustados e raivosos, suas asas foram cortadas.
E Alexia Garras de Grifo tombou, derrotada.






